CURSO DE CAPOEIRA MÍSTICA

DO MESTRE JORGE MELCHIADES

 

Você não precisa ser atleta, acrobata ou malandro, para desfrutar os prazeres da roda de CAPOEIRA MÍSTICA,

uma atividade  que resgata a manifestação espontânea, popular e comunitária da festa, do folguedo e do folclore.

 

 

            É claro que para aprender capoeira sempre é melhor contar com a assistência direta de um bom mestre ou professor e existem ótimos. Porém, se você não pode freqüentar academia ou não quer, faça uso das lições práticas e teóricas que estaremos fornecendo. Porém, não se avexe em consultar o seu médico familiar para saber até onde pode ir, porque ninguém do NUPEP se responsabiliza por acidentes ou problemas decorrentes da sua prática. Feito isso, reúna a família e amigos ou treine sozinho. Comece arrastando os móveis da sala ou improvisando um espaço mais ou menos igual a uma pequena pista de dança. Coloque um CD de músicas de capoeira para rodar e...Dance, dance e dance, mansa, lenta ou freneticamente, mas seguindo as instruções da ginga que oferecemos hoje. Ah, se você ainda não tem o Cd apropriado, pode adquirir um entre os excelentes que estão a venda. É provável que você possa adquirir também, brevemente, um que já começamos a gravar: “Brincando de jogar capoeira”. Vamos lá? Se achar conveniente faça um quadrado no solo, com fita adesiva colorida ou giz, como na figura 1...A medida? Ah sim! Use para a distância de cada lado, a mesma medida que você tiver de um ombro a outro, acrescida de mais uma terça parte.

 

 


AULA 1: A GINGA

 

            È a posição de guarda da capoeira e serve de base para todos os movimentos durante o jogo: para o deslocamento, defesas e ataques. É um movimento do corpo para os lados e para trás, numa espécie de vaivém que se configura em passos de dança, sempre no ritmo da música e do berimbau. Para começar a treiná-la, fique em pé naturalmente e com as pernas separadas o suficiente para manter-se confortável com os pés sobre os pontos A e B do quadrado (1). Mantenha-se bem relaxado física e mentalmente, joguem o peso do corpo totalmente para um lado, o direito, por exemplo, flexionando levemente o joelho direito (2). Leve o pé esquerdo para trás, num semi círculo, até o ponto C do quadrado, ao mesmo tempo que o braço esquerdo é levado até a altura do rosto pra protegê-lo e ao corpo. O braço direito fica solto, relaxado e meio flexionado ao lado do corpo, sendo levado um pouco pra trás no balanço (figuras 3 e 4). Retorne o pé esquerdo ao ponto B, desloque o peso do corpo para a perna esquerda flexionada (figura 5). Isto é muito importante para provocar um deslocamento que produz uma finta interessante quando se está lutando. Tem capoeirista que movimenta muito as pernas e braços mas o corpo quase não se desloca, constituindo-se em um alvo fixo. Repita o movimento anterior do lado esquerdo (figuras 6 e 7) e continue repetindo ambos os movimentos alternados e seguidamente, colocando neles muito ritmo, balanço e molejo. Se treinar com parceiro, procure sincronizar seu gingado com o dele, tomando-o pelas mãos e recuando a perna esquerda quando ele afastar a direita, como mostram os contra-mestres Anjo, que já foi Bojão (Celso Bersi) e Wellington, nas figuras 8 e 9. Mas, sempre lembrando: com jeito, graça e molho, muito molho.

 

 
 

 

 

 


AULA 2: MEIA LUA DE FRENTE E COCORINHA

 

 

Agora que você já aprendeu o movimento básico da ginga, já poderá experimentar novas situações do jogo da capoeira.

 

AQUECIMENTO: Sempre  é bom dedicar a primeira quarta parte do tempo do treino ao aquecimento, para evitar dolorosas distensões musculares e câimbras. Nele o leitor poderá fazer exercícios de alongamento, o que é ótimo. Porém, também poderá obter resultados satisfatórios, gingando inicialmente num ritmo lento e gradualmente dando amplitude aos passos e movimentos dos braços, do corpo e da cabeça.

            Ao gingar, leve o pé bem atrás, de modos que precise dobra um pouco mais os joelhos e abaixar o corpo. Se você já adquiriu um Cd de capoeira, coloque numa faixa com o ritmo de Angola, que costuma ser lento. Se não adquiriu, então improvise, mas não deixe de dançar.

            Nos minutos finais do aquecimento, passe a gingar um pouco mais rápido. Para tanto mude de música. Use uma faixa de São Bento Grande e procure “inventar” durante a ginga, mas sem perder o ritmo, o molho, a malandragem. Pare de repente, com os pés unidos, faça um pião, dê pulinhos com os pés juntos, para frente, lados e para trás... Ria. Alegre-se com o quem puder fazer. Seu parceiro de treino deverá inventar também e ambos devem procurar “afinar”, na dança, uma parceria que nada mais é do que uma deliciosa cumplicidade lúdica.

 

A COCORINHA: É o desvio que pode ser visto na demonstração do contra-mestre Wellington, na figura 5. É um movimento de esquiva frente a ataque vindo do alto, visando atingir lateralmente a cabeça ou a face. Você ginga e abaixa-se, deixando-se cair na posição conhecida como de cócoras e com o braço levantado protegendo a cabeça, do lado onde supõe que o golpe venha.

           

Faça cocorinha algumas vezes, sem forçar nada. Vá devagar, mas vá sempre. Movimento correto é sempre aquele que você pode fazer descontraído em um dado momento. Não tenha pressa...

 

A MEIA LUA DE FRENTE: Também deve ser  praticada na seqüência da ginga. Se você não tem parceiro para treinar não se preocupe. Com um sorriso de pura malícia convide uma cadeira para ser sua parceira. Em certos casos ela será a melhor companhia, porque não quer ser MELHOR do que você e por isso não o atingirá traiçoeiramente ou “sem querer”, nem ser tornará violenta ou o deixará na mão. Faça o movimento demonstrado pelo contra-mestre Anjo sobre a cadeira, o com o parceiro caindo em cocorinha, conforme mostram os dois contra-mestres na foto.

 

            Com o parceiro, a ginga deve ser sincronizada, e quando você tiver o pé direito ligeiramente recuado, eleve-o numa curva ascendente que se completa num semi-círculo e vai até a frente da outra perna e retorna ao ponto de origem. Faça o mesmo do outro lado, enquanto o parceiro faz cocorinha. Ao abaixar-se, não perca o outro de vista e levante-se rapidamente, assim que o pé dele passar. Repitam os movimentos revezando as posições e com cuidado para não se machucar.

            Ah! Antes que me esqueça, se você tem dificuldade de levantar  a perna, ao invés de uma cadeira use um balde ou um tijolo. Se não puder descer na cocorinha, balance o corpo e dobre as pernas. Tudo o que importa na CAPOEIRA MÍSTICA é que você FAÇA ALGO JUNTO co  outros, se movimento e divirta-se com parceiros, amigos e familiares. Seja qual for o seu estado físico, saiba que se estiver movendo-se com amigos queridos, terá sempre uma melhora gradual e sensível na capacidade de se mover, com o tempo.

 


 

 

AULA 3: BÊNÇÃO

 

 

 

Você já aprendeu a realizar um breve aquecimento com os movimentos básicos da ginga, e a realizar a meia lua de frente e a cocorinha. Agora, iremos incluir no repertório dos golpes a BÊNÇÃO. É uma espécie de pisão desferido na altura da linha de cintura ou tórax, do companheiro, que quando o pega desprevenido derruba-o. Se você tiver uma cadeira, um balde ou um tijolo, como companhia para treinar, deve realizar este movimento por cima desses objetos. Se tiver um parceiro, “ao vivo”, ao gingar com ele dê a benção enquanto ele simplesmente afasta-se na ginga. Mais tarde teremos outras alternativas. Os desenhos acima falam por si. Estude-os atentamente e pratique revezando o “ataque” e a “esquiva afastada” com o companheiro. Gingue bastante, dance enquanto realiza os movimentos e não esqueça de divertir-se bastante, do contrário o treino não tem graça, não é?

 


AULA 4

 Parte prática: A NEGATIVA DEFENSIVA

 

            Suponho que o leitor já tenha aprendido a se aquecer, a gingar, a meia-lua de frente, a cocorinha e a benção. Hoje aprenderá a esquivar-se um ataque vindo pelo alto executando a negativa defensiva. Se o leitor tiver companheiro de treino, deve começar a treinar com ele o aprendido até agora, na seqüência e sem interrupção:

a) ambos gingam;
b) um faz a meia-lua de frente e o outro desce na
cocorinha;
c) ambos voltam a gingar e revezam os movimentos;
d) gingam de novo;  
e) um faz a bênção e o outro.., vai aprender a sair na negativa.

Viram? Já estão Jogando um pouco de capoeira! Continuem aprendendo e treinando que em breve iremos combinar o batismo de vocês numa roda de capoeira Mística. Ah, se o leitor não tiver parceiro, não ligue. Jogue com a cadeira, com o balde ou com o tijolo, usando a Imaginação e como se jogasse com alguém. Com o parceiro siga os desenhos realizando tudo muito lentamente. Ambos só deverão aumentar a velocidade quando tiverem dominado um sincronismo seguro.

 

1) Quando o outro avança a perna direita, para aplicar uma benção com a esquerda, você pressentido o que vem, recua levando o pé direito para trás e protegendo o rosto como braço direito:  (2 e 3) Deixe o corpo pender para o lado esquerdo. até apoiar a palma da mão no solo e sentar-se sobre o calcanhar direito, mantendo a perna esquerda estendida. Tenha o cuidado de não deixar o polegar em oposição à palma da mão e sim ao lado do dedo indicador, para não lesioná-lo e mantenha o corpo inclinado para a frente, em típica negativa da capoeira Regional. 4) Comece a levantar-se puxando o calcanhar do pé esquerdo para perto do corpo e apoiando-se nele, passe a perna direita sobre ele e vire o corpo pare o lado esquerdo; 5) Apóie a mão direita no solo, à sua frente e levante o quadril, olhando o outro por baixo e entre as próprias pernas. Esta posição, embora considerada suspeita pelos machões, é ponto de partida para vários golpes traumatizantes e desequilibrantes, Por ora, levante-se! adote a postura inicial e volte a gingar. Pratique bem toda seqüência e até outra vez,

 

Parte Teórica

         Já vimos que, se não queremos apenas repetir o que outros dizem, observamos a roda de capoeira e analisamos com cuidado o que vemos, para entender o que é essa manifestação popular, de origem afro-brasileira. Na aula passada, verificamos que diante de uma roda de capoeira vimos varias pessoas postadas em círculo, batendo palmas, cantando em resposta ao “puxador canto”, tocadores de berimbau, atabaque, pandeiro ou outros instrumentos. Dois outros, realizam movimentos no centro da “roda”, que SIMULAM uma luta, pois evitam acertar os pés e as mãos no outro. Após vários dos presentes se revezarem no interior da roda, cantarem, tocarem e brincarem, se vão embora, Não há contagem de pontos, ninguém tem o braço levantado ou é declarado vencedor. Aliás, no fim de tudo parece que todos ganham. Se várias pessoas integram esse folguedo, não podemos dizer que capoeira é só uma dança ou urna luta de dois, pois isso indicaria pouca VISÃO ou DESPREZO pelo coletivo, além de SURDEZ para o canto, toques de instrumentos, coro e risos,,, O que é, então, capoeira?

VEJA... se não somos papagaios e dizemos querer resgatar as raízes da autêntica capoeira, devemos também observar os DOCUMENTOS HISTÓRICOS e os documentários sobre os negros africanos, que foram escravizados e trazidos para o Brasil Colonial. Neles, verificamos que semelhantes aos indígenas brasileiros, praticavam RITUAIS, entendidos como encenações individuais ou COLETIVAS, destinadas a atrair chuva. a apaziguar divindades, a atrair proteção de entidades místicas para as guerras contra outras tribos, ou até para rememorar combates em que a tribo saiu vitoriosa ou perdeu... Um RITUAL é conjunto de práticas que revestem de cultura os esquemas instintivos “herdados” dos ancestrais. Alguns psicólogos e filósofos chamam a estrutura dos rituais de arché ou arquétipo, mas é, em última análise, uma estrutura mais ampla de funcionamento das coisas naturais. Então, nos rituais coletivos é comum às pessoas se colocarem em círculo pala se observarem, enquanto dialogam, fazem refeições, festejam, comemoram e dançam, para a guerra e SIMULANDO combates com o inimigo de FORA da tribo... Este é um aspecto muito significativo do ritual coletivo, que normalmente possui a função INTEGRADORA e aglutinadora de TODOS os membros da tribo... Ora, se a primitiva capoeira começou com a função do ritual. de aglutinar, sociabilizar e amparar indivíduos de uma mesma tribo... cor, ou que padeciam de idêntica opressão, a quem interessaria  DIVIDI-LA em pedaços, passá-la como luta e relegar ao DESPREZO a prática cultural e aglutinadora do negro?

            Bom, novas reflexões ficam para outra vez...É bom dar tratos à bola, pensar e pensar para argumentar a favor ou contra o que expusemos, sem IGNORAR também que pesquisar e estudar são atividades muito importantes! Não para repetIr o que outros dizem, porque não somos papagaios nem “Maria vai com as outras”, mas para aprender com quem expõe idéias razoáveis e para verificar se os documentos, realmente, confirmam ou negam a tese que levantamos, após observar e analisar o que vimos.


AULA 5:

Parte Prática: Meia-Lua de Compasso

Depois do aquecimento obtido com a prática dos movimentos anteriores o leitor fará a Meia-Lua de Compasso assim:
a) Ao gingar, gire ambos os braços para a sua direita, direcionando as palmas das mãos para um ponto do solo atrás de você (figuras 1,2,3,);
b) Procurando manter o movimento "redondinho" e contínuo mova o pé esquerdo um pouco para  frente (figura 3)  e apoiando as palmas das mãos no solo termine de costas para o "oponente", como na figura 4 (esta posição é a mesma que você assumiu ao levantar da negativa, da figura 6 da aula passada, lembra?);
c) Em movimento continuado, decorrente do impulso dado pelo giro dos braços e do tronco no início, a perna direita levanta e gira no ar com o calcanhar direcionado à orelha direita do companheiro (figuras 5,6,7). É evidente que ele evitará o desgosto da pancada levantando o braço direito para proteger o rosto, mas descendo a mão esquerda para o solo na saída em negativa já aprendida;
d) Termine o movimento em pé e gingando (figura 8).
Recomendações adicionais: É importante que no movimento giratório não se perca de vista o parceiro momento algum. A meia-lua de compasso deve ser aplicada dos dois lados e muitas vezes, para que se torne movimento rápido e vigoroso. Se tiver parceiro prossiga com ele, se não tiver, já dissemos, use uma simpática cadeira, um vaso de flores ou um pinico, mas treine fazendo aquilo que você pode.
LEMBRE-SE que na capoeira Mística busca-se a superação dos próprios limites e fazer amigos, não ser melhor que outros.
Por outro lado, quando levantar da negativa e estiver naquela posição da figura 6 passada e figura 4 atual, que dizem ser a de "Napoleão quando perdeu a guerra", tente dar continuidade com a meia-lua... Seu companheiro deve esquivar-se com uma cocorinha ou negativa. Vão dançando e girando com um sorriso malandro, mas soltando golpes firmes, sempre em continuidade e com cuidado, zelando pela integridade física e moral do outro e de si mesmo. Ah! Se não tiver o companheiro zele pela integridade própria e da cadeira, do vaso de flores e do... Fique com meu abraço carinhoso.

AULA 6

 Parte prática: Rasteira e Aú

            Após aquecimento realizado com as técnicas anteriores, o aluno irá executar a rasteira, como movimento ofensivo e o aú, como defesa da rasteira.

Rasteira – Trata-se de um golpe desequilibrante, que tanto serve para ataque ou contra-ataque, e é desferido com a finalidade de arrastar o pé de apoio do “oponente”, quando ele desfere a bênção, a armada, o martelo... A) Ela pode ser dada a partir da cocorinha ensinada na aula 2. Mas, da posição em pé, deixe-se inclinar para o lado e levemente para trás, até colocar a palma da mão esquerda no solo, assumindo a posição da figura B. Ao mesmo tempo que apóia também a mão direita no chão, como na figura C, lance a perna direita em movimento circular e “enganchando” a perna do parceiro, um pouco acima do calcanhar, puxe firme até derruba-lo, em movimento como em D e E. Em seguida volte para a posição A, passando pela posição E; a do Napoleão já conhecida do leitor (Sem maldade. Só me refiro ao treino das figuras 4 da aula 5, e 6 da aula 4). Ah! Em tempo. Antes que o aluno domine a técnica de encaixar o pé no tornozelo do outro, não deve ser desferida contra a cadeira para não se machucar. Depois de praticar suavemente com um amigo e dominar o movimento, porém, pode treinar contra a perna da cadeira e derrubá-la. Contra o penico, que não tem pernas, nem pensar!

Aú – É movimento usado para aproximação, fuga ou exibição de perícia acrobática, sendo conhecido dos ginastas por “roda” ou “estrela”. Na capoeira é feito de forma lenta ou rápida, mas sempre descontraída e com as pernas em diferentes posições, de acordo com o momento do jogo. No “aú fechado, p.ex., o capoeirista gira com as pernas encolhidas e os joelhos protegendo o abdômen e no “aú aberto”, para exibição, as pernas são bem esticadas e abertas. Se encontrar dificuldade, comece colocando a mão esquerda no chão e ao lado do corpo, a mão direita mais à frente, e ao invés de jogar as pernas para o alto, simule o salto da altura que puder. Lembre-se que a meta é a superação gradual das próprias limitações físicas e sendo isto possível ou não, sempre se pode ultrapassar limites mentais, sentimentais, intelectuais, espirituais... Sendo assim, jogar capoeira é como raciocinar. Depois que aprendemos poucos elementos básicos ou princípios, podemos nos arrojar mais longe com relativa segurança. A figura H mostra o aú enquanto movimento defensivo da rasteira. Os dois movimentos devem partir da ginga com muito molho e praticados dos dois lados.
 

Parte Teórica:

Exercício para a cabeça... O aprendiz deve ler e tentar discutir com outras pessoas o texto
CULTURA AFRA E CAPOEIRA até COMPREENDÊ-LO. Até a próxima

 



A
ULA 7:

 Parte prática: Queixada e Armada

        Queixada - O aluno ginga e quando chega na posição da figura A, muda o pé direito como na figura b, passando-o na frente do corpo. Aí, impulsiona os ombros, o braço e todo o lado direito do corpo, como se quisesse voltar para a posição da figura A, começando um giro rápido pelos ombros, e cujo impulso deve fazer o pé direito abandonar o solo e subir, realizando um arco em frente ao corpo. É claro que o aluno deverá dar velocidade e força ao giro da perna, para que este golpe traumatizante “acerte” o queixo do parceiro com o lado externo do pé, (se ele estiver dormindo e não se esquivar). Para começar, faça o pé passar sobre um penico ou tijolo, progrida até passar sobre a guarda de uma cadeira, e depois... Quem sabe? O final do golpe é na posição inicial.

Armada – Gingue e como se fosse dar a queixada, avance um pouco mais o pé direito, até dar as costas para o parceiro, mas sem perdê-lo de vista nem um instante. Em movimento contínuo, dê um giro de corpo completo nos ombros para o lado esquerdo e como se quisesse voltar à posição A, de tal forma que o giro o ajude a tirar o pé esquerdo do solo. Levante-o na altura do rosto do parceiro até descê-lo e termine a volta ao lado do outro. No início o aprendiz terá um pouco de dificuldade para manter o equilíbrio, mas a prática regular leva ao aprimoramento.
 

Parte Teórica:

Exercício para a cabeça... O aprendiz deve adquirir disciplina para ler e o texto da História da Capoeira em Sorocaba, e o deste número de Nossa Posição é ótimo exercício. Leia-o tantas vezes quantas forem necessárias. Não tenha pressa. Lembre-se que precisa aprender a compreender o que lê.

 


 

AULA 8: O berimbau na capoeira.

O historiador sério é pessoa preocupada em trazer a lume fatos do passado, através da exposição pura e simples ou narrativas. Para tanto, deve pesquisar e estudar no presente os resíduos materiais do pretérito, para que as informações a eles relacionados sejam situadas no tempo e no espaço em que os fatos ocorreram. Deve haver muito rigor e o máximo de precisão nesta tarefa, porque a História é uma ciência que exige comprovação da verdade daquilo que se afirma. Qualquer dedução, inferência, hipótese ou teoria, deve derivar dos resíduos ou provas materiais. Sem estas não há História. Resíduos materiais são documentos escritos, fotos, pedras esculpidas, pinturas, ferramentas e utensílios etc., que no passado fizeram parte de um contexto de acontecimentos envolvendo seres, outros objetos e situações. Como conseqüência, a dedução ou inferência do historiador a respeito dessas partes deve ser coerente com o contexto histórico desses outros seres, objetos e situações, para adquirir sentido e credibilidade. Desvinculada do contexto não há dedução ou inferência, apenas acho. Lamentavelmente, alegando que a Historia existente foi documentada pelos “vencedores” ou pela elite de um povo, há lunáticos que em vez de apresentar provas consistentes da história do povo “vencido”, desprezam rigores científicos e partem para a “achologia” e desvarios que apresentam o povo, além de “vencido”, falso, mentiroso. Pois bem, resíduos importantes para o entendimento da capoeira no passado são duas gravuras do pintor alemão, Johann Moritz Rugendas (1802-1858), uma das quais, de 1834 e denominada jogar capoeira ou danse de la guerre, talvez seja o mais antigo documento disponível sobre a capoeira. Nele, o capoeirista experiente pode identificar a “ginga invertida”, a marcação do ritmo por palmas e no tambor. Entre os que estão em volta dos que gingam, “na roda”, há os que dançam. Os princípios básicos que nos permitem identificar e distinguir a capoeira do batuque, do samba, da pernada e de outros folguedos afro-brasileiros, como veremos na próxima edição, já se encontram, bem presentes e visíveis nessa pintura, que também estaremos publicando na próxima edição, para análise. Outro fato notável na pintura é a ausência do berimbau, que foi incorporado bem mais tarde no conjunto rítmico. O berimbau apareceu em gravuras da mesma época e em relatos ligado a vendedores ambulantes, que o tocavam para atrair fregueses, e até agora, apesar de existirem muitos achos a respeito, ninguém sabe informar ao certo, quando ele foi vinculado ao jogo de capoeira, para assumir a regência do canto e dos movimentos gerais e do jogo.

Parte prática


TOQUE BERIMBAU

O berimbau é um instrumento fácil de ser tocado... mal ou não muito bem. Difícil é tocá-lo com a maestria de certos mestres e músicos. Todavia, sabendo que sempre existirão tocadores exímios e outros nem tanto, devemos tentar aprender fazendo o que podemos. Podemos não fazer muito, mas se não tentarmos certamente não faremos nada. Sendo assim, deixemos de nos preocupar com a competição com aqueles que podem tocar melhor do que nós e tentemos superar a nós mesmos, tocando mais do que nada, e procurando melhorar a cada dia o pouco que conquistarmos. O caríssimo amigo e ex-aluno Tudoeira e de Capoeira, o João Carlos do Amaral, lamentou no Informativo número 10, não ter aprendido a tocar, apesar de haver comprado um belo berimbau em sua lua-de-mel na Bahia, em 1971. Pois bem, já pode aprender. Vamos lá amigaço!

 

Para começar, conheça as partes do berimbau e como segurá-lo observando o desenho.
 


 

1 – Partes do Berimbau.
a) Verga: é o arco de madeira. Nos berimbaus de melhor qualidade é de “biriba”, um pau encontrado na Bahia e em alguns outros Estados do Nordeste.
b) Arame: é de aço e muitas vezes retirado de pneus de automóveis.
c) Cabaça: é fixada na verga por um barbante para dar ressonância.
d) Dobrão: antigamente era uma moeda de cobre, hoje pode ser uma arruela de metal ou pedra. e) Caxixi ou cariri: chocalho de palha ou vime com sementes dentro.
f) Vareta ou vaqueta: de madeira. É usada para bater no arame.
g) Cavalete: barbante que prende a cabaça.

2 – Berimbaus usados na Capoeira
a) Gunga ou Berra Boi: é o de maior cabaça. Seu som é grave e a ele cabe mandar no ritmo do jogo
b) Médio: a cabaça é média e normalmente seu toque é inverso ao do Gunga.
c) Viola: cabaça pequena. Tem som agudo e é usado no improviso.
 


3 – Como fazer o toque de Angola
O aluno logo irá perceber que pode “afinar” o Berimbau, ou mudar sua tonalidade, modificando a altura do cavalete de barbante. O toque de Angola costuma ser usado para o acompanhamento da Ladainha, canto introdutório ao jogo e que permite a concentração de todos no início da “função”. Esse toque mais o canto permite uma espécie de oração evocativa de proteção energética ou espiritual. Em geral tem ritmo lento e depois que ocorre o “canto de entrada”, convidando os jogadores a dar a volta ao mundo, comanda um jogo lento e bem rente ao chão. Manhoso, cheio de truques e mandinga, molho e charme, os capoeiristas jogam muito próximos, no chamado “jogo de dentro”.
Recomendo que o aluno procure ouvir e baixar a lição exemplo, contendo esse toque e o canto de ladainha do site www.nupep.org/radionupep/index.htm. Vai lá, é de graça!
Mestres como o estupendo Bola Sete e músicos ligados à Capoeira desenvolveram métodos para ensinar berimbau, pandeiro, atabaque etc., dispensando conhecimentos de teoria musical. Mestres Brasília e Déo Lembá usam um esquema apropriado aos instrumentos de percussão, indicando o som e o tempo em uma pauta de apenas uma linha. A nota grave é indicada abaixo da linha e a aguda acima, onde é mostrado também o toque do caxixi . Eles tentam orientar o aluno totalmente leigo em música, principalmente pela escrita que representa o som onomatopéico. Aqui usamos um método que pode ser considerado combinação dos desses três grandes mestres.
 

A representação dos sons.
1 – O som tich é chamado “arranhado” e é tirado encostando-se a “boca da cabaça” na barriga para abafar totalmente o som, enquanto percute-se o arame mantendo o dobrão encostado nele de modo folgado, frouxo.
2 – O som tom é tirado com a percussão (batida da vareta no arame) com a “boca da cabaça” livre, afastada da barriga e sem encostar o dobrão no arame.
3 – O som tim se consegue fazendo a percussão com a “boca da cabaça afastada da barriga, e com o dobrão encostado firmemente no arame” Tocando Angola já. O querido aluno deve pegar o Berimbau e “bater nele” para tirar o seguinte som: tich-tich, tom, tim, um ruído do caxixí, tich-tich, tom, tim, um ruído do caxixí... E vai repetindo até o dedo mindinho doer demais ou a mão não agüentar, ou os familiares e os vizinhos começarem a protestar.
Esse é um toque básico. Depois de dominá-lo você vai aprender a enfeitá-lo.

Tchau e bom divertimento.


 

AULA 9
Parte teórica: Folclore e Cultura Afro Brasileira

— O QUE É PERNADA?

Em treino, um aluno perguntou me de chofre: “Mestre, o que é pernada?”. E diante da perplexidade de outros alunos, contou que assistiu atentamente a um “documentário” sobre pernada numa televisão local e continuou sem nunca ter VISTO uma e sem saber o que é. Perguntei-lhe: O “documentário” sobre pernada não a mostrou, não a explicou e nem a definiu? Curioso! E o aluno respondeu: “Nele tinha muito papo e uma cena em que dois capoeiristas da atualidade (2005) mostraram lances de capoeira em branco e preto, certamente para simular antiguidade e talvez para induzir quem assiste a acreditar que está vendo pernada. Teve um senhor, que dizem ser antigo “capoeirista” e praticante de pernada, que caiu de bunda no chão quando tentou fazer uma negativa (movimento elementar da capoeira). E caiu, não por ser idoso ou estar bêbado, mas porque não sabia fazêla. Teve sambista de outra cidade sambando e ameaçando enfiar o chapéu na cara do outro, e mais pessoas cantando, falando, falando, falando que viram brigas, danças e bailes de antigamente... Ora mestre, jogo de capoeira eu conheço e reconheço quando VEJO, sei também que não é briga, mas se VI briga, posso dizer que VI pernada?” Expliquei que a pergunta dele era sábia, pois sempre é prudente saber o que significam as palavras para não se falar como papagaio, não se ENGANAR, nem aos outros. Aí ponderei que quem gosta de CONFUSÕES são as pessoas confusas ou as que querem VER... as outras confusas. Comentei, ainda, que se o “documentário” não mostrou roda de pernada e ninguém explicou como ela era, certamente foi porque os que dele participaram não sabiam do que falavam, pois NUNCA VIRAM uma. Aí o aluno interpelou, intrigado: “Mas, por que falariam do que não viram?”. Para realizar algum interesse (desejo) consciente ou inconsciente! Afinal, poucos viram a pernada e menos ainda viram roda de pernada! Esta eu NUNCA VI e estou com 66 anos de vida em Sorocaba, onde VI roda-gigante, de carroça, de carro-de-boi, de moinho, de automóvel... A de capoeira muitos viram pela primeira vez em nossa cidade em 1969. Depois ficou fácil de ver, pois se expandiu para o mundo nos anos 80, enquanto outras práticas de negros e de brancos foram abandonadas sem sair das regiões onde realmente existiram. O povo fez da capoeira moda, pelos mesmos motivos que dança certas músicas e ritmos, em vez de outros do passado. O homem do povo diz, por exemplo: “Danço conforme a música”, mas diz isso dançando samba, por exemplo, e não a dança da chuva. O aluno me olhou intrigado e perguntei se ele já VIU a dança da chuva. Respondeu que não. Acrescentei que poderia ter visto uma encenação dela em algum filme de Tarzan ou documentário fajuto, e neste caso deveria ter cautela para não acreditar nos que a encenaram, talvez sem nunca a terem visto e nem se dado ao trabalho de pesquisar sobre ela. Quanto à roda de pernada, observei que antes de responder devíamos pesquisar, e começar procurando alguém que a VIU, para nos descrever como era, sabendo que poderíamos encontrar quem dissesse ter visto, quando na verdade VIU coisa bem diferente, ou nada. Não é por mal que digo isto, mas alguém poderia dizer que VIU por ingenuidade, por engano, por vaidade, por ter sido induzido a isso, para chamar a atenção sobre si e ganhar notoriedade, ou simplesmente por ser mentiroso mesmo. Por qualquer desses motivos tem gente dizendo coisas assombrosas. A cidade de Varginha, no Estado de Minas Gerais, por exemplo, ficou famosa e atraiu a atenção de todo mundo, quando em Janeiro de 1996 algumas pessoas de lá denunciaram à polícia local, dois extraterrestres que foram VISTOS atrás de uma moita. Quem disse que VIU realizou o desejo de ganhar notoriedade e tudo foi muito bom para os negócios da cidade. Logo, se perguntarmos por lá é provável encontrarmos também quem VIU os dois alienígenas dando pernadas numa roda que o OVNI teria deixado estampada em fogo no “campo queimado”; um significado do termo capoeira. Mas o nosso problema não é saber se quem encena coisas falsas ou diz que VIU sem ter visto é retardado ou gosta de “queimar campo”. Nosso problema é não ser “enrolado” por qualquer ignorante. Afinal, se podemos escolher com qual ignorância ficar, a respeito de algo, fiquemos com a própria, que já é difícil de suportar sem somar a ela a encenação besta dos outros. O sujeito pode ter VISTO algo ao dizer que no passado viu ou deu pernada! E aqui o nosso problema é saber exatamente o que foi que ele DEU, ou viu. Suponhamos que tenha DADO uma particular interpretação a um fato real, de modo a transformá-lo em boato. Por exemplo, viu o cadáver de cicrano, e como tinha visto este anteriormente levar um soco de beltrano, que interpretou como sendo um poderoso lutador de caratê, pode dizer que foi o soco que matou cicrano, “sem dúvida”. A descrição dos fatos, ainda que em parte verdadeira, foi deturpada, e um soco fraco dado por quem nem sabia socar passou a ser mortal para “explicar” a morte de cicrano, que na verdade foi atropelado por um trem. Até pesquisadores insuspeitos cometem sérios equívocos quando interpretam fenômenos realmente vistos, como constataremos outro dia, na análise da gravura de Johann Moritz Rugendas! Agora, imagine quantos equívocos ocorrem, quando o pesquisador, além de se meter a interpretar o que NUNCA VIU é pouco honesto! Aí eu disse ao aluno que nas décadas de 40 a 60, em Sorocaba, alguns briguentos usavam uma rasteira sem técnica específica de arte marcial alguma, que era quase um pontapé nas pernas do outro. Ela podia não derrubar, mas que estragava a canela de quem a dava e de quem a recebia, isto estragava. Chamávamos de pernada a esse golpe dado entre socos, dentadas, unhadas etc., no sufoco de uma pancadaria e desvinculado de qualquer sistema técnico. E assim como o sujeito dizia ter DADO um soco sem ser boxeador, uma cotovelada ou cabeçada sem ser carateca, também dizia: “dei pernada” sem ser de nada. Nos bailes de carnaval, por exemplo, quando um sujeito passava pulando com uma garota, ao som do samba ou das marchas, um briguento qualquer podia passar-lhe o pé numa rasteira pelas costas. Era um ato covarde e traiçoeiro para humilhar e provocar briga, e o agressor dizia ter dado uma pernada no outro. O agredido, caindo ou não, podia levantar-se e partir para cima do agressor, aos socos e pontapés, ou levar na brincadeira e sair humilhado, sem bronquear. Não raro, porém, os que provocavam brigas desse modo apanhavam feio dos que reagiam, por serem normalmente fanfarrões ou “valentes” só quando protegidos por um bando. Agora sim, o aluno adquiriu uma definição da pernada, enquanto único golpe dado por um sujeito qualquer, e não por capoeirista. Faltava-lhe apenas saber que tipo de evento é esse que recebe o nome “roda de pernada”. Como tenho humildade e honestidade para dizer que NUNCA VI uma, apesar de conhecer razoavelmente capoeira, recorri a alguém mais experiente e que viveu mais do que eu: ao amigo Esdras Magalhães dos Santos, o famoso Mestre Damião, capoeirista com histórico maravilhoso e formado pelo legendário Mestre Bimba. Ele me falou sobre a “roda de pernada” que viu nos idos dos anos 40, no Rio de Janeiro, explicando que esse nome era usado para designar o Batuque baiano, antigamente adotado pelos cariocas. Dias mais tarde esse mestre sublinhou trechos do livro de Edison Carneiro, “A Sabedoria Popular do Brasil”, edição de 1945, e gentilmente mo enviou. O aluno deve lembrar que o etnólogo Valdeloir do Rego, grande estudioso do folclore nacional, criticou duramente um texto do Edison Carneiro, em que este interpretou, equivocado, como “modalidades de capoeira” as variações do jogo e dos toques de berimbau, que até VIU e ouviu nas rodas de capoeira (NP. 015). A crítica desse autor a erros pontuais não desmerece a totalidade das obras do Edison Carneiro. Essa crítica apenas adverte que “errar é humano” e que só o persistir no erro é que leva a duvidar da condição humana de quem errou... Entre os tantos estudos que fez, Edison Carneiro descreveu no livro mencionado, a “pernada carioca”, chamada no Rio de “roda de pernada”: “Um dos batuqueiros ocupa o centro da roda e convida um dos assistentes a competir. O convidado se planta – junta as pernas, firmemente, desde as virilhas até os calcanhares, com os pés formando um V. O batuqueiro começa então a estudar o adversário, circulando em torno dele, (...) em busca de um ponto fraco por onde o catucar. O bom batuqueiro jamais ataca pelas costas – e o lícito, no jogo, é largar a perna de frente ou de lado. Por sua vez, o convidado não vira o corpo para trás, — entre outras razões porque ficaria indefeso contra a pernada (...). Habitualmente, o convidado não se agüenta nas pernas e vai ao chão. Nesse caso, o batuqueiro convida outra pessoa da roda. Se, entretanto, não o derrubar, os papéis se invertem – e é o batuqueiro que se planta para o convidado(...). Enquanto se mantém firme, e invicto, (...) o batuqueiro ocupa o centro da roda e vai chamando os assistentes: Se você é home Eu também sô Se você dá pernada Eu também dô”. Quem já VIU capoeira e de algum modo conheceu este jogo de agilidade, graça e arte, por certo compara com o folguedo da pernada carioca e constata brutais diferenças, principalmente de princípios determinantes dos movimentos, do canto, dos objetivos a serem alcançados, etc. Para começar, o princípio reinante na capoeira é o de movimento constante, seja defensivo e ofensivo, não admitindo ninguém plantado. Edison Carneiro descreveu o jogo da pernada carioca como uma competição que só termina com vencedores e vencidos, e depois, para compará-la com o Batuque baiano, evocou a descrição de um jogo no interior do município de Cachoeira, feita por Clóvis Amorim, no seu romance, O Alambique, de 1934. “Organizaram um batuque-boi na porta do vaqueiro... Zé Costa foi o escolhido para ser o “mandão”. Tomou do berimbau e iniciou o comando.

—Vamo vê o pá primêro. Caiçara, um agregado da Cabonha, e o foguista novato pularam na roda. Costa gritou.

— S’aperpare.

O foguista juntou as pernas, firmou-se e, batendo as mãos espalmadas nas coxas, avisou:

— Carro no toco.

Caiçara, ligeiro, deu-lhe várias pernadas, passando a primeira, a segunda e a terceira raspa, fazendo o possível para derrubá-lo. O foguista resistia. Bambeava e não caía. Palmas. A torcida se manifestava:

— Êta, caboclo bão!

— Mourão de cancela.

Zé Costa batia o berimbau:

— Óia o eixo.

Caiçara ficou de pé. Juntou as coxas, prevenindo:

— Ferrão no boi.

O foguista, mais sagaz, logo na primeira raspa deu com Caiçara no chão. O berimbau parou. O foguista, zombeteiro, chuetava:

— Eco! Levanta boi!

Costa anunciou a vitória:

Pica-pau de mato grosso tem catinga no sovaco. De dia pica no pau, de noite no teu buraco.

Batuqueiro, berimbau, mete essa perna num saco.  As ovações estrugiram, aclamando o vencedor...” Bem, a descrição da pernada carioca feita por Edison Carneiro, como se vê, é idêntica à descrição do Batuque baiano feita também por Clóvis Amorim. Mas, também dão autenticidade a esses relatos, fontes diversas. Entre os depoentes há uma distância grande no espaço e no tempo, e a falta de contato entre eles torna veraz o que há de coincidência nos relatos. Impressiona, ainda, a coerência lógica ligando essas descrições com a música “General da Banda”, que foi sucesso do carnaval carioca no ano de 1949: É uma “batucada” de Satyro de Melo e Waldemar Silva, cuja letra é um refrão do batuque. Aliás, na infância, eu e demais sorocabanos brincamos o carnaval cantando... Chegou o general da banda e ê Chegou o general da banda ê a Mourão, Mourão! Vara madura que não cai Mourão, Mourão, catuca por baixo que ele cai... O termo “General” aludia ao campeão da roda, ao “mandão” que atingiu grau elevado na hierarquia de vencedores. Edison Carneiro o dá como alusivo a Ogum, deus do ferro dos nagôs. De qualquer modo, o campeão da banda só podia ser um especialista em dar a banda traçada, golpe de rasteira do batuque, que é acompanhada de uma pancada de joelho na coxa da vítima. Mourão é um tronco com boa parte enterrada na terra e firmemente fincada para sustentar arames de cerca rural. É a “vara madura que não cai”, figurando o sujeito fixado solidamente sobre os pés e de corpo ereto, suportando pernadas, bandas e raspas (sempre golpes dados com as pernas, daí o nome pernadas e a expressão “catuca por baixo”). É evidente a identificação do batuqueiro carioca com o “mourão de cancela”, o palanque mais forte que além da cerca suporta grossa porteira que gira à sua volta tendo-o como eixo do giro. Mais autenticidade lógica e de depoimento coincidente iremos encontrar no Annibal Burlamarqui (Zuma), um carioca que propôs no livro, Ginástica Nacional, de 1928, a transformação da capoeira em arte marcial esportiva. Na página 29 ele descreveu o “baú” como técnica que servia de apoio à banda, antes de, segundo ele, ser adotada pela capoeira. Nestor Capoeira, uma lenda viva da capoeira na década de 1960, e que levou a prática para a Europa após 1971, é escritor, ator de cinema, iniciado por mestre Leopoldina, também não chegou a VER roda de pernada, apesar de ser do Rio de Janeiro. Mas em seu excelente livro: “Capoeira, os fundamentos da malícia” evoca depoimentos dos que realmente VIRAM, pois a descrevem como o Batuque já exposto. Leopoldina, por exemplo, explica que “no Rio de Janeiro havia a pernada, muito semelhante ao batuque”. Nestor também expõe a descrição de Sergio Cabral (As Escolas de Samba, Ed. Fontana): “Marcelino José Cláudio, o tio Maçu, que morreu em 1973 ao 75 anos de idade, foi o primeiro mestre-sala da Estação Primeira de Mangueira, além de ter sido um ás nas rodas de pernada”. O texto destaca a exceção do sambista freqüentar roda de pernada. E a menção de Maçu a bandas de frente, de lado e de costas, a jogada, a cruzada, a dourada e a amarrada, só designam tipos de pernadas, ou golpes típicos do batuque. Nestor lembra também o que lhe contou o Leopoldina, sobre as rodas de pernada em frente à Central do Brasil, durante o carnaval carioca. Note, caro discípulo, que a “roda de pernada” não se apresentava em desfiles de carnaval. Leopoldina disse que “A grande chinfra era esperar o malandro plantado numa perna só: quando a banda batia, tinha de subir no ar, trocar de perna girando e já sair sambando”. Isto significa que quem esperava o golpe plantado, como um mourão de cerca, podia desafiar o atacante com sua agilidade plantado numa perna só. Depois de suportar a banda (pernada), ridicularizava o adversário dando passos ritmados ou pulando em “banda solta”, festejando por ter continuado em pé. Édison Carneiro explica isso na página 18 da obra citada. Porém, não foi só ele que descreveu esse detalhe... Raimundo César Alves de Almeida, o admirável Mestre Itapoan, capoeira formado do Mestre Bimba na década de 50 ou 60, pesquisador sério e escritor, em seu livro “Mestre Atenilo, o relâmpago da Capoeira Regional”, que salvo engano também confessa nunca ter VISTO roda de pernada ou batuque, trava o seguinte diálogo com o entrevistado: Itapoan – Atenilo, você se lembra de algum golpe do batuque? Atenilo – Tem a Cruzada, Cruzo de Carrero, Baú, tem a pancada de coxa...

Itapoan – Daí é que saíu a Banda traçada? Dessa pancada de coxa Bimba fez a Banda Traçada?

Atenilo – Daí é que saiu a Banda Traçada, você fica em pé eu venho de lado e meto a perna, desequilibro e arrasto. É a Banda Traçada.

Itapoan – E batuqueiro, você conheceu muito aqui em Salvador, porque eu só conheci Tiburcino de Jaguaripe, você conheceu?

Atenilo – Me lembro, eu conhecia Batuqueiros do interior. Eu gostava também do Batuque. Você ficava parado...

Itapoan – Banda Solta?

Atenilo – Era, você ficava parado e aí vinha a pancada de coxa e você se defendia. A Cruzada de Carreira é a pior que tem, porque quando você pega, desequilibra na perna, o pé dele acabou de sair do chão, subiu, você panhou ele em baixo ele vai cair como daqui lá no meio da rua...

Itapoan – Mas os caras só podiam se defender quando o outro aplicava um golpe?

Atenilo – Era, ficava em Banda Solta. Quando ele caía lá que se aprumasse, ou senão caísse... (...)

Itapoan – (...) Devia machucar muito a canela, Bimba me falava que a perna ficava cheia de cicatrizes. Atenilo – Eu tinha um tio, que as pernas dele era toda cheia de “calombo” de tanto bater. Tinha indivíduo que pegava você e arrastava e tinha indivíduo que entrava e batia com tudo, e o pior é que todos dois se machucavam.

Itapoan – Porque quem não sabe aplicar rasteira com técnica dá pontapé, não é?

Atenilo – Dá pontapé e machuca.  Aqui se pode verificar a descrição  da “roda de pernada” enquanto um  folguedo folclórico que a tradição  preservou até o seu desaparecimento,  onde existiu. Trata-se de modalidade com específico modo de cantar, de tocar. Trata-se, portanto, de um sistema distinto de outros, sendo sempre bom saber que nem sempre quem usa o termo batuque está falando da modalidade descrita. Este termo foi generalizado para designar qualquer batida em tambor, lata etc. Também há rodas de samba que são chamadas de batuque, mas que apresentam diferenças substanciais do batuque descrito, como é a umbigada... Documentos históricos, assim como os de Rugendas, apresentam os primeiros registros, tanto da Capoeira como de formas do batuque, mostrando que foram atividades que se desenvolviam independentes e em paralelo. A própria denominação específica para cada prática é diferente, indicando que  desenvolveram distintas. Sabe-se que o pai de Bimba foi grande batuqueiro, e que ao criar o estilo Regional de Capoeira, o seu mestre maior teria incluído golpes do Batuque. Há muita controvérsia a esse respeito, mas se o Batuque entrou na Capoeira Regional, não a influenciou mais que a luta Greco Romana e o Judô... É possível, porém, que o Batuque e a Capoeira tenham recebido influência, um da outra e vice-versa. Mas é absurdo afirmar-se que uma derivou de outra, porque as provas existentes permitem que se levante hipóteses (suposições lógicas), como: 1) de que a Capoeira e o Batuque tiveram desenvolvimento e surgimento independente, em separado; 2) que qualquer tipo de pernada, como a Tiririca ou a de um golpe só tenham sido corruptelas de lances do batuque. Agora, desprezando provas e partindo para a ignorância pode-se levantar “chutes” ou achos totalmente auto-excludentes como: 1) a capoeira se originou do batuque; 2) o batuque se originou da Capoeira. Seja lá como for, fica absolutamente demonstrado que capoeira não é batuque. Que o batuque descrito ou a pernada carioca e baiana é uma atividade folclórica, sistemática, com características peculiares de uma prática regular, pois teve até praticantes consagrados, famosos e campeões, e que a pernada de um golpe só ),... a “tiririca” e outras “pernadas”, onde realmente existiram, são corruptelas, simplificações ou deformações do Batuque; da “pernada carioca”, porque na história da capoeira nunca houve “pernada”. Dito tudo isto ainda pergunto ao aluno: “Alguma vez você VIU alguém fazer pilhéria diante de japonês dizendo que são todos iguais? Então, VER pessoas diferentes, como sendo iguais exemplifica o uso de generalizações pouco inteligentes para dar respostas à imensidão de questões que a vida oferece”. E o discípulo finalizou: “Oh mestre! Essa é uma brincadeira e ninguém seria tão fútil a ponto de ter essa atitude leviana diante de fatos diferentes”. Encerrei a lição dizendo: caro aluno, há gente fútil para tudo, inclusive para aprender neste Informativo e depois usar o aprendido para aperfeiçoar as mentiras que contestei. Isto já foi feito e agora, por exemplo, os mentirosos saberão descrever a “roda de pernada”. Bom que seja assim, pois a nossa missão é ensinar...

 

Parte prática: PARAFUSO

Aula 9 - O “parafuso” Com o “parafuso” o capoeirista visa atingir o rosto do oponente com o peito do pé que gira em segundo lugar. Nas figuras 1, 2, e 3 o aluno tem uma repetição da “armada”, ensinada no Informativo n. 16. O movimento do parafuso se inicia com ela, só que muito mais rápido e com maior impulsão focalizada na perna que a  princípio ficaria no solo. Neste golpe ela serve de “mola” para um pulo que faz o movimento acontecer praticamente no ar. Ver figuras 4, 5 e 6.

  


 

AULA 10

Parte teórica: As bobagens sobre capoeira.

 

        Muita bobagem tem sido falada e escrita sobre Capoeira ao longo dos séculos 19 e 20, e se não tomarmos nenhuma providência para melhorar o nível dos conhecimentos sobre o tema, continuaremos, pelo século 21 afora, ouvindo e lendo repetições dessas bobagens.

        O problema, aqui, certamente, não é a pessoa falar ou escrever bobagens por ser IGNORANTE no assunto, mas o alastramento da IGNORÂNCIA a nível intolerável, em lugar da propagação de conhecimentos mais corretos e sadios.

        Dia destes, por exemplo, encontrei um escritor considerado importante, por ser ligado a órgãos aglutinadores de historiadores e de intelectuais da cidade. Perguntei a ele, tão delicadamente quanto conseguiria, como ele, sendo pesquisador de nossa história, foi capaz de avalizar, com o seu nome, uma obra que afirma, sem prova documental alguma, ter existido capoeira na cidade de Sorocaba antes de 1969. E ele, muito embaraçado, respondeu gaguejando: “Bem, antigamente chamavam a briga de capoeira, e brigava-se muito na cidade...”.  A princípio me indignei por ouvir tão grande barbaridade, mas, procurei me acalmar e entender, que afinal, ele fazia o melhor que podia, para justificar a inverdade que apoiou, “entrando de gaiato”. Aliás, o principal recurso usado pelos que originalmente disseminaram tais inverdades pela cidade, foi justamente o de CHAMAR briga de casal, crimes, o uso de patuá, de pernas e de navalha, entre outras coisas, de “capoeira”, para JUSTIFICAR as afirmações levianas feitas anteriormente. Ora, diante da obstinada insistência no erro, nada mais havia para se falar... 

        Observe, caro leitor, que esse escritor, ao ser questionado por mim, precisaria ter grandeza MORAL para apresentar a humildade do verdadeiro intelectual e admitir que errou. Não teve. E, consciente ou inconscientemente, tentou tornar “lícita” uma inverdade, dizendo que briga era chamada de capoeira, mas se contradizendo, porque ao mesmo tempo sustenta que não é. Ou seja, ele disse, em outras palavras, que antigamente CHAMAVAM a briga, de capoeira. Independente do fato de eu nunca ter ouvido semelhante estultice de capoeiristas ou dos briguentos que conheci, percebamos que ele diz, que antigamente usava-se o NOME “capoeira” para designar a briga de rua.

        Bom, é verdade que quem não é capaz de distinguir a capoeira de uma briga pode revelar sua IGNORÂNCIA de muitos modos, inclusive pela palavra escrita e falada. Mas, o meu interlocutor, sem dúvida, é “intelectual” o suficiente para saber, que o sujeito casado com um canhão de mulher, poderá chamá-la de “Sandra Bullock” o quanto quiser, que não terá essa atriz de cinema ao seu lado, na cama, quando for deitar para dormir... Ele sabe, também, que chamar seu gatinho de “Leão” não o transformará na fera com esse NOME. Então, sabendo que o canhão do seu lado não vira a Sandra Bullock, nem o seu gato um leão, só por receberem NOMES da atriz e do “rei das selvas”, deveria saber também, que briga nunca foi capoeira. Do ponto de vista racional, por outro lado, deveria saber também, que quem insiste em JUSTIFICAR mentira anterior tem de mentir mais...

         Perguntei-me várias vezes: que tipo de interesse pode ser maior do que a VERDADE para um historiador que nos próprios trabalhos tem sido tão sério? Jogo de influências? Corporativismo? As trinta moedas? Não CRENDO que essa pessoa tenha agido por interesse, preferi CRER que sua IGNORÂNCIA, quanto ao assunto sobre o qual se atreve a opinar, é realmente sincera. Então, decidi esclarecer algo sobre a matéria.

        Quando alguém está brigando tem raiva, ódio ou muito MEDO e realiza atividades ofensivas e defensivas coerentes com o OBJETIVO da briga; isto é, o de evitar ser nocauteado, ferido ou morto. Para tanto usa tudo o que pode e é capaz, preferindo, se possível, que seja o outro a desmaiar, a sair ferido ou morto. Se um dos briguentos pratica alguma modalidade de luta, certamente irá usar as técnicas que puder, enquanto briga. Se o outro pratica a mesma modalidade de arte marcial que ele, faz o mesmo, e ainda assim, ambos estarão brigando.

         Se alguém já estiver pensando em JUSTIFICAR a bobagem dita, agora usando a palavra “luta”, deve entender que ela tem significado muito abrangente e apenas por si não esclarece nada. Pode-se usar o termo “luta” para indicar qualquer tipo de conflito, inclusive o de idéias, além da própria briga. Em esporte a palavra pode pressupor confronto de treinamento ou de campeonatos, e em qualquer dos casos com regras combinadas e limitações na aplicação dos golpes, com tempo determinado de duração e intervalos fixados, regulamentos sobre pesos e categorias, um ou mais juízes fiscalizando se não há golpes baixos ou proibidos... E numa briga, meu caro, como se dizia antigamente: “quem pode mais chora menos”. Não há regras e nem limites impedindo golpes baixos ou altos...

         Numa briga, o sujeito pode ser “bom de briga” por usar golpes de capoeira, e outro, por usar força descomunal. Se eles se enfrentarem, ainda que numa luta de Vale-tudo, nunca teremos um jogo de capoeira. Sabe por quê? Para ter um jogo de capoeira é preciso dois capoeiristas voltados ao mesmo fim específico de jogar capoeira. Para me entender melhor, pense num sujeito que realiza a prática de dentista. Pensou? Podemos dizer que ele é dentista quando está no exercício da profissão, mas quando está brigando e extrai um dente do seu adversário com um soco, não está praticando a odontologia. Certo? Numa briga o sujeito não é dentista. É briguento.  

        Agora, procure assistir a um jogo de capoeira. Verifique que dois ficam de cócoras na frente do tocador de berimbau, se benzem, cantam, e depois de autorizados, saem dando golpes manhosos de pés, mãos, cotovelos, joelhos e cabeça, sem a intenção clara de ferir ou atingir o outro. Perceba que um deles até que poderia chutar o rosto do outro em certo momento, pois tem a oportunidade, mas não o faz. Apenas ameaça, sorri de modo brejeiro e vai para “uma parada de mão” ou sai no Aú. Depois de um tempo, ambos se abraçam, trocam de parceiros e continuam dando voltas ao mundo, às vezes por horas e horas seguidas, cantando, rindo, se exercitando, felizes da vida. Isto é briga? Não. É jogo de capoeira. Se dois capoeiristas não se gostam e resolvem brigar, ainda que na roda, deixam de jogar capoeira e passam a brigar. Agora vale tudo entre eles, e quem pode mais, aí, não canta nem dança, chora menos. Certo? Se decidirem lutar capoeira, fazer um jogo duro, poderão agir com maior contundência, só que agora, submetidos às REGRAS que definem especificamente a CAPOEIRA. Se ambos forem para o solo, por exemplo, e alguém der socos, dentadas, arm-locks ou guilhotinas, já estará muito afastado da capoeira. Estará brigando, ou chamando de capoeira a alguma moda inventada recentemente, mas que NADA tem a ver com a tradicional, a legítima, a autêntica capoeira que nos foi legada pelos grandes mestres. Certo?

 

Parte prática:

Aula 10 – O “martelo” e o “macaco”

Martelo - Com o “martelo” o capoeirista procura atingir costelas e cabeça do oponente, com o peito do pé, pela lateral.

O movimento se inicia na posição ilustrada na figura 1, e a seguir, o joelho é levantado conforme a figura 2, e se gira o quadril. Em movimento continuo, inclina-se o corpo ligeiramente para trás estendendo-se a perna rapidamente, na direção da cabeça ou das costelas do outro (figura 3). É importante recuar a perna, rápido, para evitar que ela seja aprisionada.

Macaco – Com o “macaco” o capoeirista se desloca de um lado para outro com elegância e elasticidade.

Sente-se na posição de cócoras e ponha a mão esquerda no solo atrás de você, abaixo das nádegas (figura 1). Estique agora a mão direita na sua frente e projete-a à frente e para trás, por sobre a cabeça, dirigida para trás dela. Acompanhe a mão com os olhos, enquanto impulsiona com as pernas para jogar vigorosamente o quadril para cima e na direção da mão projetada (figura                       

 

                              

2). Se o movimento for coordenado e o impulso for bom, você irá girar o corpo sobre as mãos e descer com as pernas juntas no solo (figuras 3 e 4).

Alerta! É sempre prudente praticar exercícios físicos com o máximo de cuidado, assessorado por médico e professor competente. Nem eu nem ninguém daqui do Nupep irá se responsabilizar por danos sofridos em decorrência da má aplicação da técnica aqui demonstrada.