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Ótima oportunidade ao leitor, de conhecer alguns conceitos básicos da teoria freudiana através de uma sintética, interessante e revolucionária versão não materialista. Ao relatar O SONHO que teve com o criador da Psicanálise, o autor vai expondo, de maneira acessível a qualquer pessoa interessada, os passos primordiais para o início de uma ANÁLISE pessoal, que leve em conta os anseios mais PROFUNDOS da alma.

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Ano novo, homem velho!

Um rapaz bonito, e saudável, aquele formando reclamava em voz alta por ter de participar da solenidade de colação de grau na universidade. Ele estava ali com os colegas, para receber formalmente e, em tempo hábil, o certificado de licenciatura que o permitiria atuar como professor do ensino médio. Entretanto, resmungava dizendo detestar a sociedade burguesa e evocando citações de Nietsche, Deleuze, Edgar Morin e de outros filósofos, buscando deles a aprovação para uma grosseira postura “irreverente”.

Alguém, ao seu lado, o advertiu de que não deveria ter ido á solenidade e assumido as consequências de sua ausência. Mas, se foi, deveria respeitar o direito daqueles que não pensavam como ele e viam no acontecimento, um momento de marcar vitória após anos de sacrifício, tanto deles como de suas famílias.

“Não ligo para as convenções sociais por serem hipócritas. E o que esse pessoal quer é apenas realizar um ritual de exibição para mascarar a debilidade mental!”. Respondeu, mostrando total menosprezo pelo direito das pessoas que ali estavam. Sua aparência contrastava escandalosamente com a dos colegas elegantemente trajados. Com a beca amassada, mal abotoada, aberta e em desalinho, punha em destaque o que havia por baixo: a calça jeans desbotada, surrada, e um par de rasgado e sujo tênis. Até nas vestes o jovem fazia questão de APARECER como uma bandeira desfraldada contra o recato e o charme da formatura. Evidente que ele acreditava opor à sociedade acadêmica uma atitude pessoal, própria e original, mas agia como tantos, seguindo outra VELHA tradição; a de obediência cega a uma secular CRENÇA, de que a rebeldia é revolucionária.

Ora, se esse rapaz não fosse escravizado a um engodo de senso vulgar e de certos intelectuais, cuja retórica é tão convincente quanto o som da flauta de Hammelim o foi para os ratos, poderia perceber que a evolução do homem saído da ingenuidade infantil é para a inteligência racional. E raciocinar não é colecionar ideias atraentes, simpáticas e convenientes para a manutenção de posições assumidas na infância, na formação de personalidade mimada ou revoltada. Raciocinar, de fato, é encadear conclusões previamente criticadas e coerentes entre si, respeitando princípios gerais. È absurdo alguém supor que age racionalmente tendo atitudes desrespeitosas à coerência lógica com os OBJETIVOS que pretende realizar frente aos que o acolheram ao nascer e o sustentaram dentro da sociedade maior, bem como aos que diz amar. Ser racional, portanto, é muito mais do que recitar frases decoradas, ainda que estas tenham sido ditas por autoridades intelectuais, religiosas ou científicas. É ser capaz de encontrar soluções lógicas para os problemas da realidade, tendo em vista os OBJETIVOS definidos para a existência, e de se impor atitudes que sejam compatíveis com o fim projetado em sã consciência.

Lamentavelmente, porém, amestrado desde a mais tenra infância a reproduzir com palavras e ações as ideias dadas pela cultura, o sujeito já adulto é capaz de recitar: “O cão é um animal irracional e o homem é racional”, sem nenhum esforço para raciocinar detidamente sobre o que realmente diz. Na ausência de reflexão sobre o verdadeiro SIGNIFICADO que suas palavras e atos representam pode se esconder um sujeito totalmente INCONSCIENTE daquilo que verdadeiramente é, dos determinantes de sua ação e dos INTERESSES alheios que realiza. Assim, por incrível que pareça, embora as pessoas em geral raciocinem em certos momentos da prática diária, normalmente não podem evitar a mera reprodução da cultura erudita ou popular, com suas prontas e acabadas soluções para problemas e objetivos de vida. Ou seja, ao aceitar sem profunda análise racional, a este ou aquele pensamento em curso na ampla cultura, o sujeito se atrela a sugestões alheias simplesmente porque elas atendem seus anseios sentimentais, irracionais e infantis de simpatia ou antipatia.

Foi por meio das operações racionais que o filósofo Aristóteles chegou à conclusão de que o homem é um “animal lógico” e ninguém até hoje contestou essa verdade. Convém acrescentar porém, que muitas pessoas não valorizam essa potencialidade mental e na maior parte do tempo apenas reproduzem as respostas fornecidas pela cultura erudita ou inculta, sendo que elas são dadas por segmentos de índole conservadora, niilista, fascista, revolucionária, democrática, anarquista, entre outras. Daí porque um indivíduo só possui postura racional quando para de reproduzir as respostas alheias e começa a raciocinar sobre os ditames que obedece, com o fim de liberar a mente das tendências dirigidas e estabelecer com CONSCIÊNCIA a meta pessoal para a própria existência.

Rebeldia é um dos componentes da ação revolucionária, mas isolada de um projeto ideal é mediocridade. Qualquer animal irracional pode se insurgir contra imposições disciplinares, ainda que a docilidade que lhe é solicitada seja para lhe curar uma dolorosa ferida. Por estar inconsciente do OBJETIVO instintivo, sentimental e impulsivo que persegue, o animal repudia o curativo. A falta de coerência com meta racionalmente definida, portanto, denuncia a inconsciência irracional por trás da ação rebelde. Sem ter projeto o projeto ideal que se mostra viável pela adesão de outros na transformação da sociedade, o sujeito que se diz revolucionário o é apenas em sua ALUCINAÇÃO infantil.

Assim, pois, se os atos do dia-a-dia terminam incoerentes com objetivo ideal anunciado, denunciam a mentira, o oportunismo e incompetente IRRACIONALIDADE da proposta. Do mesmo modo, é muito comum o “rebelde irreverente” terminar querendo sucesso e vencer na vida, servindo assim, às regras competitivas da sociedade que diz repudiar. Sua rebeldia, logo se vê, é apenas uma busca de ATENÇÃO, de sucesso, de querer APARECER nas atividades profissionais, sociais e afetivas, com a postura do bebê birrento por sentir-se incapaz de enfrentar a concorrência por outras vias. Ou seja, na inconsciência, faz tudo para obter a ATENÇÃO do outro, como a irresponsável criança que esperneia, agride, quebra brinquedos próprios e alheios.

Assim como o nosso personagem, que sentindo-se de algum modo inferiorizado diante de outros formandos, procurou SE DESTACAR apresentando rebeldia sem sentido objetivo, já que não a expressa numa sucessão de atos planejados racionalmente e compatíveis com projeto ideal destinado à liderar movimento capaz de transformar a sociedade para melhor... Por desejar APARECER, simplesmente, ele se rebela contra a solenidade de formatura, no entanto, não rejeita o diploma da instituição que a organizou, pois este o permitirá APARECER no mercado de trabalho definido pela mesma sociedade que diz rejeitar. Assim, também, deve se rebelar contra muitas coisas que os pais pedem, mas não contra a situação parasitária de depender do sustento, da moradia, da mesada e de todas as demais benesses que o mantêm como bebezão birrento.

Como a rebeldia sem causa hoje é MODA fácil de seguir, no ANO NOVO podemos prever que teremos uma grande exibição de HOMENS na irracionalidade animal e infantil, com o mesmo modo arcaico e VELHO de pensar e agir do formando mencionado.

 

Prof. Jorge Melchiades Carvalho Filho

Fundador do NUPEP

Membro da Academia Sorocabana de Letras

Publicado na Folha Nordestina – edição de janeiro - 2012

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