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Ótima oportunidade ao leitor, de conhecer alguns conceitos básicos da teoria freudiana através de uma sintética, interessante e revolucionária versão não materialista. Ao relatar O SONHO que teve com o criador da Psicanálise, o autor vai expondo, de maneira acessível a qualquer pessoa interessada, os passos primordiais para o início de uma ANÁLISE pessoal, que leve em conta os anseios mais PROFUNDOS da alma.

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A FLOR...

Um velho jardineiro, ao cuidar das plantas do jardim público de sua cidade, encontrou uma linda flor, que entendeu ter sido aperfeiçoada em longo processo de EVOLUÇÃO, pois surgiu e se desenvolveu de modo surpreendente e inacreditável, entre tanto mato que de ordinário a teria sufocado. Examinou-a e verificou que o solo e o clima que a nutriam eram propícios para fazer germinar outras plantas com flores tão viçosas como ela. Por ali encontrou apenas algumas poucas de sua espécie, devendo, porém haver muitos brotos que permaneciam atrofiados, como se a beleza que traziam em seu íntimo não existisse. Por que isso acontecia? Simplesmente porque aquele mato estava impedindo que a LUZ chegasse com suficiente vigor até os brotos. A LUZ para estes era pouca, apesar de abundância que se derramava do sol e do céu.

O velho jardineiro amava TODAS as plantas e não queria atribuir o VALOR de “daninhas” às ervas que contrariavam os seus INTERESSES preferenciais, relacionados a flores e ao equilíbrio delas em relação à diversidade natural, por isso se recusava a extinguir as que davam problemas para ele. Mas, o fato é que, como se fossem muito egoístas, as ervas tidas como daninhas SE REPRODUZIAM muito e com grande velocidade. Aparentemente, seus brotos começavam a se desenvolver e a se reproduzir muito cedo e rápido, passando a ocupar quase todos os espaços do jardim, e IMPEDINDO, com a sua sombra, que a luz chegasse até os brotos da flor.

Resistindo à tentação de destruir qualquer espécie de planta, pensou, então, se deveria ISOLAR a flor, plantando-a em um vaso à parte para que maior quantidade de brotos da sua espécie deixasse de ser fraco e incapaz de se defender para sobreviver naquele ambiente... Todavia, a flor era tão EXTRAORDINÁRIA, justamente por ter conseguido se desenvolver e se tornar tão plena de beleza, sob a influência negativa de tantas plantas ordinárias! Por isso, questionou se essa espécie de flor não perderia seu grande valor em razão do isolamento protetor.

Decidiu não ter esse direito, porque respeitava as leis naturais e entendeu, na verdade, que a bela flor só era extraordinária porque teve de superar todos os PROBLEMAS causados pelas plantas ordinárias, que abundavam ao ponto de ocupar quase todo o espaço vital, porque se reproduziam com voracidade.

O velho jardineiro era idealista e queria preservar o jardim em sua forma natural, como estava. Mas, não podia deixar de imaginar quão belo ficaria tudo se mais flores como aquela surgissem. Então, procurou RACIOCINAR como dar àquela flor a oportunidade de aumentar em número, apesar de sofrer a excessiva influência reprodutora que se abatia sobre sua espécie na forma de sombra, que impedia a LUZ de beneficiar as tenras plantas com qualidades potenciais extraordinárias.

Entendeu, finalmente, que a solução era ele, ao menos no jardim no qual atuava fornecer as melhores condições para que a flor e seus brotos recebessem uma maior quantidade de luz. Interveio, então, com muito cuidado, fincando algumas estacas com as quais restringiu o assédio inoportuno das plantas ordinárias.

O leitor já reparou se no seu jardim tem plantas banais e ordinárias, cuja sombra impede que a luz vinda do alto faça germinar e desenvolver flores belas e extraordinárias? Sim? Então, porque não atuar como o sábio jardineiro, que passou a CONTROLAR a influência perniciosa da reprodução ordinária?

 

 

Prof. Jorge Melchiades Carvalho Filho

Fundador do NUPEP

Membro da Academia Sorocabana de Letras

Publicado na Folha Nordestina – edição de fevereiro - 2013

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